domingo, 2 de maio de 2010

A ARTE DE SONHAR ACORDADA


     Abro os olhos. A claridade invade o quarto, através da porta aberta. Abro a janela. Deixo o calor entrar, aquecer meu rosto, minhas mãos. Fico pensando, enquanto olho pro alto, como pode uma palavra tão singela e humilde ter um significado tão grande e tão maravilhoso que delicio-me só em pensar nela? "céu". 3 letras apontando a imensidão. Abro, então, o coração e rezo, para que eu também possa ser singela e humilde, representando coisas maravilhosas.
     Alguns dias, é exatamente do que preciso.

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terça-feira, 27 de abril de 2010

PASSADO E/OU PRESENTE?

     O passado pertence ao passado. É fácil dizer. Mas e quando seu passado insiste em fazer parte do seu presente como um déjà vu... Como dizer não?
     --Não, jeans, não é você, o problema é comigo. Eu mudei, nós não somos mais compatíveis.
     --É, mas eu já te conheço, não? Ah, sim... Daquelas aulas de matemática... Cai fora!
     --Larga do meu pé! Já disse que não quero nada com você, falsidade!
     O pior mesmo é criar coragem e dar um fora...
     --É tão bonitinho! Eu posso usar um dia...
     --Ai, mas eu preciso me esforçar...
     --Também não vou ser mal educada, né?
     Por que é tão difícil se livrar do passado? Será que isso é mesmo necessário? Ok, viver do passado e viver o presente é o mesmo que dois corpos utilizarem o mesmo espaço ao mesmo tempo. Mas talvez não seja preciso empacotá-lo e jogar fora.
     Talvez se eu deixar um pouco dele na prateleira, outro tanto no armário, debaixo da cama...

ai nãaaaaaaaaaao!!!! Chega de inércia!!!

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sexta-feira, 16 de abril de 2010

NO ACONCHEGO DO LAR

     Quero um lar. Não um lugar qualquer. Mas um que seja aconchegante e ventilado, iluminado, alegre, nem grande nem pequeno, na medida. Não quero um quartinho, flat, aluguel. Quero um lar.
     Um lugar pra cantar no banho, dançar como bem entender, chorar entre travesseiros, rir sozinha, ser feliz. Um lugar feito sob medida. Um lugar feito pra mim.
     Talvez do outro lado do mundo. Talvez logo ali na vizinhança... Talvez...
     Quem sabe, se não houver preço... Quem sabe, se for uma troca equivalente... Talvez eu fique com vários. Quem sabe faço moradia num dos apartamentos mais altos, entre os membros superiores de um edifício com alma?

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domingo, 11 de abril de 2010

A IMENSIDÃO NO MEU SER


     No futuro viverei simplesmente para olhar o céu. Verei somente as coisas mais belas. A imensidão há de ceder inspiração para o inimaginável.
     Hei de guardar momentos em imagens e uns poucos na memória. Os amigos verdadeiros, encontrarei mais do que eles esperam, infelizmente menos do que eu gostaria. Contemplarei a torre Eiffel, o Big Ben, as pirâmides, o mar e outras tantas imponências esperando que esse momento nunca termine. E, quando ficar enjoada de tantas línguas, me cansar dos assentos de aviões trens e barcos, ao lar enfim retornarei. Onde tudo é quente e aconchegante, como um abraço de boas-vindas.
     Ali terei minha própria rotina sem disciplina. E entre begônias, cravos e bromélias encontrarei a paz.

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domingo, 28 de março de 2010

TUDO JUNTO SÓ PRA MIM

  
     Hoje quero comer chocolate até não aguentar mais, sair às 19h e voltar só quando o dia raiar, ser dona do meu próprio nariz, fazer compras com o dinheiro que ainda não tenho, ler livros e ver filmes o dia inteiro, matar aula, beber, rir, dançar, conversar, amar intensamente, fazer pose, fofocar, ma arrumar e sair de novo...
     Esqueci toda a lógica e responsabilidade no bolso daquela calça social. Hoje eu só quero viver.

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sexta-feira, 26 de março de 2010

NÃO VOLTA MAIS

    Mr. Yesterday veio a falecer há algum tempo atrás. Sofria do grande mal "idade avançada". Boas lembranças guardo dele. Risadas, brincadeiras, tristezas compartilhadas, quedas, lições aprendidas... Pensar muito nele causa-me intensa nostalgia. Não lembrar dele faz com que eu me perca. 
     Quero lembrar dele pra sempre. Porém, como a um sorriso de criança. E esta ainda tem muito a aprender.


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terça-feira, 9 de março de 2010

RABISCOS


     Certa vez, quando eu era garotinha e ouvia as conversas dos adultos, contaram a história de um jovem que, por morder a língua, morreu. Explicaram que o garoto tinha muito veneno em sua lábia. A partir daí, nunca mais abri a boca, para não ter que fechá-la. Tinha medo de que eu própria tivesse aquele veneno que matara o pobre menino. Bebia e comia através de canudos. Falar? De jeito nenhum. Somente escrevia o estritamente necessário para aqueles que considerava importantes. Não me lembro quando foi a última vez que escrevi.
     Consegui um emprego alguns anos atrás. Realizava a vigilância de um dos cofres mais importantes de um dos bancos menos prestigiados da cidade. Confiavam em mim. Afinal, eu não falava, não fazia gestos e a única vez que me viram escrever foi para me candidatar à vaga. Perdi o emprego duas semanas depois de ser contratada porque não consegui avisar que o cofre estava sendo roubado.
     Mas é a vida. Ela não é fácil pra ninguém, não é?
     Acreditam que outro dia ainda uma conhecida (nem tão conhecida assim) veio até mim no ponto de ônibus e disse mais ou menos isso:
     - É bom escutar, mas melhor ainda é realmente ouvir. Você escutou demais o que os outros diziam e transformou sua vida de acordo com o que o medo lhe ordenava. Ainda há tempo. Por que não muda?
     Então olhei-a com ousadia, tanto quanto ela me olhava. E disse (não disse, exatamente, mas pensei com tanta força, que é praticamente o mesmo que dizer):
     - Bobagem! Pelo menos não morri envenenada!


Uma história medíocre para uma situação medíocre.  Ainda há tempo.
Chega de inércia.

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domingo, 28 de fevereiro de 2010

NOVATOS


     Burros por natureza, novatos por definição. Quando nos metemos a fazer algo novo é sempre a mesma ladainha, e uma coisa é certa: haverá erros. Você cai da bicicleta, tira zero naquela prova super importante, é reprovado na auto-escola, leva aquele fora da menina mais popular, faz aquela confusão na agenda do chefe... As possibilidades são muitas. Mas quer saber? Isso não interessa. O que importa é o que fica com a gente. Não, não estou me referindo àquele hematoma e sim às lições aprendidas. Aquele que é expert já foi um noob total, acredite. Então, pra quê o medo de começar? Fazer e errar ainda é melhor que não fazer. Chega de inércia! Seja um novato burro com orgulho!

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Ó DÚVIDA CRUEL


De onde viemos? Para onde vamos? Qual a solução para a crise mundial? Qual a melhor atitude em relação ao aquecimento global? Eu não tenho a menor idéia! Mas, talvez, você queira sair e pegar um bronzeado... Ter respostas é bem mais difícil que ter perguntas. Eu também tenho algumas: por que o rendimento escolar é diretamente proporcional aos estudos e não às reuniões sociais voltadas à confraternização (mais conhecidas como baladas e barzinhos)? Por que minhas preferências alimentares são inversamente proporcionais na escala saudável -> veneno? Por que há sempre roupas mais legais na vitrine que no meu armário? E, por quê, por que meu Deus, sempre falta dinheiro ao invés de sobrar? Só sei que nada sei. Mas vou buscar no google pra saber. Chega de inércia.

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sábado, 27 de fevereiro de 2010

SINGIN' IN THE RAIN


     Pertenço à classe de pessoas que são influenciadas pelo tempo. Não, não aquele do relógio, aquele que a gente olha pela janela pra saber se precisa tirar a roupa do varal. Também tenho a impressão que a calçada do quarteirão do cemitério demora mais a acabar que a dos outros quarteirões. Ando sem sair do lugar. Permaneço imóvel e vou a lugares distantes. Pensar dói e não pensar me mata. Meu pai acha que eu não como direito e minha mãe não quer que eu engravide. Na TV, só programas inúteis e comerciais sem graça. Livros são meus companheiros na cama. A lua é minha alma gêmea. Algumas vezes quero ser um avestruz, outras quero ser uma mosquinha. Não gosto de puxas-saco, detesto falsidade e odeio traição... e miojo de yakisoba. Sem meus amigos eu não seria nada. Com mais viagens eu seria mais feliz. Amo cachorros. Gosto de gatos. Johnny Depp é o cara mais lindo do mundo, mas só porque o Ledger morreu. Falar sozinha é um hábito, cantar, só de vez em quando. Aprecio o simples fato de estar viva e poder olhar o céu azul com nuvens branquinhas num dia de sol. Andar pela cidade me faz sentir livre. Sim, é um dia de chuva.
     Faça algo, antes que os outros façam por você. E você sabe como os outros são malas... Pare já com essa inércia!! Você me entendeu... 


"I'm singing in the rain
Just singin' in the rain

What a glorious feeling
I'm happy again"

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DOR DE CABEÇA

     

     Sabe quando você sente que caiu, bateu a cabeça e teve perda parcial de memória? Pois é, soa familiar... Talvez por isso, essa simples criatura ignorante, a quem chamo de "eu", esteja agora escrevendo. Se eu tenho algo a contar? Claro que tenho! Quem é você pra duvidar? Todos têm algo a dizer, mesmo que sejam mudos ou ranzinzas ou não saibam seu idioma e... ok, sem viajar... muito. 
     Se alguém viu Los abrazos rotos sabe do que estou falando quando digo que há alguns beijos que são normais, sem nada de mais, como que dados ao parceiro por uma ordem automática do cérebro, assim como quando ele te manda bocejar ou espirrar. São beijos dados como que por inércia. E, no momento, só o que tenho a dizer é: chega de inércia.


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