domingo, 28 de março de 2010

TUDO JUNTO SÓ PRA MIM

  
     Hoje quero comer chocolate até não aguentar mais, sair às 19h e voltar só quando o dia raiar, ser dona do meu próprio nariz, fazer compras com o dinheiro que ainda não tenho, ler livros e ver filmes o dia inteiro, matar aula, beber, rir, dançar, conversar, amar intensamente, fazer pose, fofocar, ma arrumar e sair de novo...
     Esqueci toda a lógica e responsabilidade no bolso daquela calça social. Hoje eu só quero viver.

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sexta-feira, 26 de março de 2010

NÃO VOLTA MAIS

    Mr. Yesterday veio a falecer há algum tempo atrás. Sofria do grande mal "idade avançada". Boas lembranças guardo dele. Risadas, brincadeiras, tristezas compartilhadas, quedas, lições aprendidas... Pensar muito nele causa-me intensa nostalgia. Não lembrar dele faz com que eu me perca. 
     Quero lembrar dele pra sempre. Porém, como a um sorriso de criança. E esta ainda tem muito a aprender.


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terça-feira, 9 de março de 2010

RABISCOS


     Certa vez, quando eu era garotinha e ouvia as conversas dos adultos, contaram a história de um jovem que, por morder a língua, morreu. Explicaram que o garoto tinha muito veneno em sua lábia. A partir daí, nunca mais abri a boca, para não ter que fechá-la. Tinha medo de que eu própria tivesse aquele veneno que matara o pobre menino. Bebia e comia através de canudos. Falar? De jeito nenhum. Somente escrevia o estritamente necessário para aqueles que considerava importantes. Não me lembro quando foi a última vez que escrevi.
     Consegui um emprego alguns anos atrás. Realizava a vigilância de um dos cofres mais importantes de um dos bancos menos prestigiados da cidade. Confiavam em mim. Afinal, eu não falava, não fazia gestos e a única vez que me viram escrever foi para me candidatar à vaga. Perdi o emprego duas semanas depois de ser contratada porque não consegui avisar que o cofre estava sendo roubado.
     Mas é a vida. Ela não é fácil pra ninguém, não é?
     Acreditam que outro dia ainda uma conhecida (nem tão conhecida assim) veio até mim no ponto de ônibus e disse mais ou menos isso:
     - É bom escutar, mas melhor ainda é realmente ouvir. Você escutou demais o que os outros diziam e transformou sua vida de acordo com o que o medo lhe ordenava. Ainda há tempo. Por que não muda?
     Então olhei-a com ousadia, tanto quanto ela me olhava. E disse (não disse, exatamente, mas pensei com tanta força, que é praticamente o mesmo que dizer):
     - Bobagem! Pelo menos não morri envenenada!


Uma história medíocre para uma situação medíocre.  Ainda há tempo.
Chega de inércia.

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